Marcas bilionárias perdem valor do mercado global
Algumas das marcas mais famosas do mundo
perderam valor de mercado pela primeira vez na história, de acordo com
reportagem desta segunda-feira do jornal "Valor Econômico". A
Coca-Cola, a marca mais valiosa do mundo há 20 anos, avaliada em US$ 67 bilhões,
perdeu 1% de seu valor entre 2005 e 2006, segundo ranking da Interbrand,
consultoria de avaliação de marca do grupo Omnicom.
A segunda colocada, a Microsoft, também manteve a posição de 2005, mas sofreu
uma queda ainda mais expressiva, de 5%, e é avaliada pela Interbrand em US$
56,9 bilhões.
O diretor geral da Interbrand no Brasil, Alejandro Pinedo, afirma ao
"Valor" que as duas marcas mais valiosas do mundo perderam pontos por
motivos distintos. A Coca-Cola, diz ele, por ter abandonado sua postura de
liderança de mercado para copiar alguns produtos da concorrência - como a versão
com limão dos refrigerantes sabor cola lançada em 2002 pela Pepsi-Cola.
A marca Microsoft, observa Pinedo, perdeu valor por uma combinação de três
fatores: o avanço do concorrente Google, a expansão do sistema Linux e o
afastamento progressivo do fundador da empresa, Bill Gates. Apesar da
desvalorização, a marca Microsoft vale hoje nada menos que US$ 56,9 bilhões,
segundo o ranking da Interbrand, publicado pela revista "Business Week"
e pelo Valor.
A marca com maior valorização no ranking de 2005 foi a do Google, que subiu da
38ª posição para a 24ª e passou a valer 46% mais entre um ano e outro - ou,
US$ 12 bilhões. Com isso, a empresa deixou para trás nomes conhecidos como a
fabricante de eletroeletrônicos LG (94), a tradicional Cartier (86), a empresa
de artigos esportivos Adidas (71), a Xerox (57) e até a montadora Ford (30).
Os dois desempenhos mais próximos foram de eBay e Motorola, ambos com 18% de
valorização da marca.
— Podemos afirmar que a Google está fazendo, na indústria online, o que a
Virgin fez no mundo real — disse ao jornal britânico “The Guardian” o
diretor-executivo da Interbrand, John Allert, referindo-se à gravadora que hoje
atua em turismo e comunicações. — Eles estão tentando mostrar que são uma
marca que trata de informação. Se a Google puder provar que é mais do que uma
empresa de busca, então suas fronteiras serão quase sem limites.
Os dez primeiros lugares do ranking, porém, ainda são ocupados por empresas
tradicionais. A Coca-Cola vem em 1, com US$ 67 bilhões, seguida, nesta ordem,
por Microsoft (US$ 59,92 bilhões), IBM (US$ 56,2 bilhões), GE (US$ 48,9 bilhões),
Intel (US$ 32,3 bilhões), Nokia (US$ 30,13 bilhões), Toyota (US$ 27,94 bilhões),
Disney (US$ 27,85 bilhões), McDonald’s (US$ 27,5 bilhões) e Mercedes-Benz
(US$ 21,8 bilhões).
Globo Online